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Europa_35: Itália: Cinque Terre_Parte_03

A TRAVESSIA DA CINQUE TERRE: Caminhada, montanhas, vinhedos, fantasma, beijo, carona e bachata. Uma aventura e tanto em plena Ligúria!
No segundo dia, saí cedo, por volta das 6h40 e fui preparada para fazer a famosa caminhada. Comecei passando novamente pela Via dell’Amore e quando cheguei em Manarola, ao invés de subir a ladeira, segui na mesma direção sentido ao porto. É linda essa parte. É super legal ver aqueles barcos estacionados nas ruas nas frentes das casas. Passei por eles e fui seguindo as indicações. Encontrei um grupo de jovens que estavam pulando de uma pedra gigante para o mar. Fiquei ali alguns minutos vendo a diversão deles tão cedo e segui caminho. Quando cheguei na continuação do caminho para Corniglia, que seria praticamente o mesmo que o da Via dell’Amores, tinha um cartaz informando que aquele caminho estava interditado. Fiquei na dúvida se voltava e pegava o trem ou se fazia o caminho antigo, por cima,pela montanha. Eu tinha pego todas as informações dessa trilha e sabia que ela completa, ou seja, de Riomaggiore a Monte, seriam 4h.
 
Decidi continuar a caminhada, pois pensava que antes de ter trem as pessoas iam de uma cidade a outra caminhando, então eu também poderia fazer o mesmo e assim fui.  Tem uma placa indicando o caminho pela montanha e quando começa a subida já vemos a escultura de uma mulher com uvas. Fiquei animada, porque já tinha a visto por fotos e segui. Em um determinado momento, fiquei sem saber se estava seguindo o caminho certo, mas eu não via outro caminho até que encontrei uma pista na trilha. Alguma alma generosa e esperta pintou de azul algumas pedras e depois as marcas serão duas listras vermelha e branca. Então fui seguindo estas pistas e passei pelos vinhedos. Fiquei super empolgada. Nunca tinha estado ou tocado cachos de uvas tão verdinhos.
 
 

  

De repente ouvi um barulho que nuca tinha ouvido na minha vida. Fiquei completamente parada. O barulho desapareceu. Depois de uns 5 minutos ouvi o barulho novamente e ele estava ficando mais próximo. Decidi que não era um animal, mas não tinha a mínima idéia do que poderia ser naquela altura e aquela hora da manhã até que percebi que o barulho vinha de um cano de metal que passava pela uvas. Era uma pequeno mecanismo que subia por esse cano, parava e liberava água de forma cronometrada. Fiquei aliviada  e ao mesmo tempo fascinada por ver aquilo funcionando naquela altura e tão longe de tudo.
 

Segui meu caminho e num momento fiquei com medo quando percebi que eu estava completamente sozinha, no meio da montanha. Mas ao mesmo tempo a adrenalina estava a mil pela aventura e fui seguindo. Do nada apareceu uma moça, passou por mim, falou bom dia e desapareceu. Juro que não ouvi os passos dela e isso porque estava tudo silencioso. Numa parte do caminho encontrei uma casa abandonada e antiga e justo quando estava olhando essa casa por dentro, ouvi alguém correndo e era novamente a menina que passou por mim. Juro, realmente juro que me perguntei se não era um fantasma. Continuei andando esperando surgirem as marcas azuis e então cheguei num ponto alto que podia ver tanto Riomaggiore quanto Manarola e todo aquele mar azul embaixo. A visão é simplesmente surreal e quando vi aquela imagem, sabia que tinha valido o esforço até ali. Renovei os pulmões e segui caminhando até que cheguei numa cidade e fiquei contente, pois achei que era Corniglia, mas na verdade era uma pequena vila e no decorrer do caminho descobri que existem outras pequenas vilas entre as 5 cidades. O que parecia ser incrível, dado que elas já são pequenas e eu ficava me perguntando como aquele povo foi viver ainda mais longe de tudo.
Manarola vista do alto da montanha.
Do outro lado: Corniglia
Quando vi o alto que estava pensei: "Minha mae vai me matar!"
Nesta vila, vi a igreja, as ruas simpáticas, com flores lindas e 3 amigos espanhóis que estavam fazendo a travessia. A princípio pensei que eles estavam naquela cidade porque não existia outro caminho para chegar ali sem ter passado por mim, mas muito tempo depois quando cheguei na estrada, eu os vi de bicicleta e um carro com eles. Ahh e como fui parar na estrada? Saindo da vila, continuei seguindo as marcas mudaram e de repente, elas sumiram! Ainda caminhei um tanto procurando e nada. Comecei a descer a montanha e nada. Então vi um carro passando lá no alto e decidi que uma vez que já não tinha mais marcas o melhor era seguir pelo mesmo caminho onde passavam os carros, pois seria mais seguro não me perder e ali vi os espanhóis seguindo de bicicleta e de vez em quando passava um carro. Num determinado momento, vi uma cobra amassada no asfalto, ela tinha sido atropelada e só então me dei conta que eu estava caminhando dentro da montanha, cheia de árvores e uvas e com certeza deveria ter pensado que tinha algum animal. Quando vi a cobra atropelada tive certeza que tinha tomado a melhor decisão de ir pela estrada.
Caminhei, caminhei e caminhei e de repente, numa árvore estava a marca vermelha e branca novamente. 

Conheça o final dessa aventura e mais sobre Cinque Terre no próximo e último post.

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