Já parou para pensar se uma pessoa próxima, amiga, colega ou parente, pudesse ser você por um dia o que ela sentiria e viveria? Será que ela continuaria querendo estar ao seu redor quando essa experiência acabasse e ela soubesse quem realmente é você nos recônditos mais íntimos do seu ser? Você é uma pessoa verdadeiramente legal, simpática, boa, ranzinza, complicada, carente, forte, chata, alegre, melancólica, sorridente, respondona, ...?
E se você ou eu tivéssemos a chance de ser outra pessoa próxima a nós por um dia? Quem gostaria de ser? Ou, talvez, a pergunta mais interessante é quem evitaria ser? A quem não gostaria de saber o que leva no coração e nos pensamentos? E essa pergunta nos leva a outra: por quê?
Como seria se pudéssemos por algumas horas escutar o que vai na mente das pessoas que compartilham suas vidas conosco? Acredito piamente que não conseguiríamos viver em sociedade se isso fosse possível. Assim, penso que o Universo é bastante sábio em não nos permitir ouvir os pensamentos alheios. Todos seres vivos são como uma caixinha de surpresas. Até os animais mais domesticados e treinados, às vezes, saem do script e pegam alguns de surpresa, imagine então o ser humano! Este é bastante confuso, penso eu. Pois cada um é uma grande mistura de histórias e experiências pessoais que carrega dentro de si - seja através da genética ou de costumes - o peso das experiências de seus ancestrais e dessa vida atual.
É interessantíssimo pensar que somos a consequência de muitos, muitos e muitos encontros carnais através de séculos e milênios. Talvez, em algum momento alguém lutou muito para que seu bebê vingasse e esse conseguiu crescer e seguir adiante com sua linhagem. Em outro momento alguém teve apenas um bebê e noutro umas 10 crianças que geraram outras tantas e tanto o meu quanto o seu DNA está no meio de toda essa confusão de histórias, paixões, lamentos, violência, amor, lágrimas, desejos, viagens, esperanças, desespero e fé. No entanto, no fim, tudo se resume a uma palavra: vida. É essa palavra curta, de apenas 4 letras, que nos empurra sem cessar através das eras.
Já parou para pensar que um dos nossos ancestrais pode ter vivido cada um de seus dias tentando sobreviver à ameaça de grandes animais como os dinossauros, sempre sob um tremendo estresse e agora, milhares de anos depois, aqui estamos nós achando a Era Jurássica superinteressante, ficando animados vendo eles nos filmes e achando tudo legal?
Como seria olhar para trás e reconhecer traços físicos e gestuais em homens e mulheres que um dia, como nós agora, apenas estavam vivendo suas vidas, sonhando seus sonhos e afastando seus medos e anseios?
Será que se alguém, que acredita nos conhecer, pudesse ser um de nós por um dia veria resquícios de um passado em nós que não conseguimos reconhecer com nossos próprios olhos?
Talvez seja mais fácil ver e sentir os outros do que a nós mesmos?
E então? Você gostaria de ser alguém por um dia e saber o que vai na alma dela ou preferiria que alguém pudesse estar dentro de você e descobrisse tudo o que vai aí dentro?

Já é difícil sermos nós mesmos, né?... Passamos uma vida inteira (os mais atentos e interessados) tentando nos conhecermos, melhorar, trazer um pouco de luz às nossas sombras, educar nossos fantasmas... Estar no lugar do outro seria como trocar um carro velho por outro; pelo menos esse carro que dirigimos já conhecemos os defeitos 😅.
ResponderExcluirInteressante! :)
ExcluirComo sempre, muito interessante amiga ❤️
ResponderExcluirQue bom que gostou! :)
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