Couchsurfing 02: dicas, desconfianças e segurança.

Não dá medo? Sim, dá! E não vou mentir, passa mil coisas pela cabeça, ainda mais por ser mulher, viajando sozinha e sendo latina e mulheres latinas são sonhos de consumo em muitos lugares. O que escrevo aqui foi o que fiz - e sempre faço - e funciona muito bem, por mais que pareça "básico" para muitos.
Ao querer enviar uma solicitação para receber ou ficar com alguém leia bem o perfil da pessoa, veja fotos, leia as referências e preste atenção ao seu sexto sentido. Não tenha o preconceito de não contatar quem não tem referências porque quando nos cadastramos também não temos nenhuma e ficamos esperando que uma boa alma não se preocupe com isso e nos responda. Acho importante entrar em contato para uma hospedagem um ou dois meses antes, pois nos ajuda a conhecer um pouco mais algumas das pessoas e saber se temos ou não afinidades e pode evitar surpresas desagradáveis depois ou simplesmente essa pessoa vai nos ajudar com pequenas dicas que farão grandes diferenças. Eu já economizei horrores com dicas de trens ou ônibus locais que não tinham aparecido nas minhas pesquisas pela net porque somente quem mora no lugar os conhece. Como também já ajudei as pessoas que recebi aqui pelo mesmo motivo. 

Também não tenha preconceito em ficar com pessoas do sexo oposto, eu mesma tive apenas uma coucher mulher, os demais foram todos homens e para receber eu prefiro homens a mulheres, pois trazem menos coisas, são mais organizados e independentes. Mas essa é a minha impressão, de acordo com as minhas experiências. Leia bem o que a pessoa está oferecendo, pois se lá está escrito sofá-cama ou colchão, não espere chegar e ter um quarto lindo e maravilhoso. Somos muitos honestos sobre o que podemos oferecer. Também é comum compartilhar o mesmo espaço, afinal alguns moram num conjugado/monoambiente e o colchão ou cama de armar que a pessoa oferece vai ficar no mesmo espaço que a cama dela. Tudo isso está escrito e quando inicia o contato é bom perguntar pois é bom saber se isto está dentro do seu limite de aceitação.
Em Viena com meu coucher Dave vendo a Orquestra Filarmônica de Viena e fazendo novos amigos num show de rock.
Em Milão com meu coucher Peter com quem andei de Scutter pela primeira vez.
Mas tudo é sempre perfeito? Não, não é. Eu mesmo não aceito na minha casa ou não peço para ficar com alguém que tenha uma referência negativa. Mas claro, vou lê-la para saber o que aconteceu, pois já percebi ao ler essas referências que algumas pessoas consideram negativas questões que são culturais as quais ela desconhecia e colocou a culpa na pessoa. Outras são completamente de atitudes negativas ou queria se aproveitar de alguma forma. Por isso é importante ler tudo com a mente bastante aberta para entender nas entrelinhas também, pois há também as pessoas que tiveram uma experiência negativa, mas preferiram não informá-la na página. Sou totalmente contra essa atitude.
Também vale entrar em contato com alguém que deixou referência positiva e fazer algumas perguntas (eu mesma já fiz isso). 
Com meu coucher Paolo em Roma e depois festejando o niver dele com os seus melhores amigos e outras meninas que faziam couchsurfing como eu.
Com Annelies, em Brugge. Minha primeira coucher mulher passeando e brincando conosco pelas noite de Brugge.
Para que o conceito do Couchsurfing funcione as pessoas precisam ser honestas, precisam falar as coisas boas e negativas e também é importante falar sobre a localização do lugar para que outros possam ter ideia se lhes serve ou não. Quando eu quero aceitar ou pedir uma solicitação para surfar na casa de alguém leio tudo. Todo o perfil da pessoa, vejo fotos para ver se sinto que me agrada, leio todas as referências e se tiver algo nas entrelinhas leio mais vezes.

Para ser uma experiência segura depende muito de nós nos colocarmos num lugar seguro em primeiro lugar. Já recebi convite de um coucher, um homem bastante agradável e com inúmeras referências positivas tanto de homens quanto de mulheres, mas quando vi que no facebook dele somente havia fotos de bares com strippers em suas viagens, não me senti tão segura e por isso declinei o convite. Vai da personalidade de cada um. Eu verifico tudo e hoje com a internet isso é muito fácil, fazer perguntas é primordial. E ter contatos de hostels no local também, afinal quem garante que quando você chegar você vai gostar do local ou da cara da pessoa? E você não vai querer estar numa cidade desconhecida sem saber para onde ir, não é mesmo?
 
Esta foi a linda rua da casa de Johan em Berlim onde fui recebida por dois dias.
Em Londres nosso coucher Adam nos fez um jantar e entre vinhos com nosso coucher Artabaze em Paris.
Esse tipo de surf é uma experiência única. Hoje não me vejo mais apenas ficando em hostels por causa do tanto que aprendi e das amizades que fiz pelo mundo através do couchsurfing. Com alguns couchers não tirei fotos, por isso eles estão faltando por aqui, mas não em minhas em memórias.
Caso queiram tirar alguma dúvida ou falar sobre a sua experiência com o Couchsurfing, deixe um comentário. Será um prazer trocar experiências ou tirar dúvidas e realmente espero ter ajudado quem estava pensando entrar na onda do Couchsurfing seja ficando, seja recebendo.

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