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As mulheres e o amor em tempos de celular.

Este post será mais como o desabafo de uma mulher jovem, solteira em pleno século XXI para as mulheres dos séculos passados e futuros. No início, nossa função era extremamente básica: deitar-se com um homem para procriar a espécie e ajudá-lo a sobreviver. Depois passamos a olhar para os homens além da necessidade da reprodução e percebemos que alguns eram mais bem apessoados que outros. Depois, passamos a ter a vontade de escolher. Depois essa vontade foi esmagada com o surgimento da Igreja Católica. Depois os pais decidiam com quem deveríamos passar a vida. Acabou a época de apenas procriar, agora teríamos que ficar com esse homem toda a vida. Não precisaríamos mais procurar alimentos, trabalhar e procriar, os homens fariam tudo isso e nós passamos a ter a função de aceitar o que nos era imposto e quem o era. Depois voltamos a querer mais que uma casa, uma família e apenas procriar: queríamos ter nossa antiga liberdade de volta. Tempos difíceis. Os homens não mais lembravam daquelas mulheres fortes que o ajudavam a sobreviver, apenas das que lhes foi dada para manter. E assim passaram anos, décadas, séculos. Depois voltamos a encher os pulmões. A respirar mais forte e fazer dos sussurros gritos para que todos ouvissem: nós existimos! E funcionou. De pouco a pouco, é certo, mas funcionou. Começamos a sair da inércia imposta pela religião e pela cultura que veio depois dela. Conseguimos alguns direitos. Conseguimos mais direitos. Voltamos a trabalhar, mas desta vez lutando contra o preconceito, o racismo, a libido de muitos, até mesmo contra a família em muitos casos. Definitivamente o nosso lugar de mulher ao lado do homem como nos primórdios foi perdido completamente. Voltamos a reparar no homem, a aflorar a sexualidade, a ter vontade de escolher. E eles repararam em nós. Conseguimos mais direitos. Lutamos contra o preconceito, passamos a usar saias curtas e calças, a usar cabelos curtos, a ser feminina sem vergonha de sê-lo. Deixamos de sorrir timidamente e espalhar a nossa risada, o nosso gozo a quem quiser. Podemos ter sexo sem procriar e procriar sem ter sexo. Podemos novamente dizer "Quero você" e ficar esperando uma resposta. Conseguimos tanto e então chegou o século XXI com sua tecnologia. No início, dizia-se, ser uma forma de aproximar ainda mais as pessoas. Telefone, computador, tablet, celular. Tudo para nos aproximar como seres sociais. Não como seres humanos. Nós, mulheres do século XXI, estamos aqui com nossas suadas conquistas. Querendo ter uma conversa, sexo, companheirismo, bom trabalho, boa vida para dividi-la com alguém, afinal, desde que o mundo é mundo fomos criados para estarmos em pares não é mesmo? E então estão os homens: que não mais pensam em somente se reproduzir. Que não precisam mais nos manter. Retiradas todas suas "responsabilidades" - primeiro para manter a espécie e depois para manter uma sociedade aceitável, eles decidiram relaxar e aí surgiu o celular que cabe na palma da mão e tem mudado o destino feminino atual.
Boca fatal. Olhar fatal. Calcinha sexy. Sutiã meia-taça. Cinta-liga. Meias transparentes. Cintura fina. Mini saia. Voz rouca. Salto alto. Lingerie preta. Bunda arrebitada. Lingerie vermelha. Seios empinados. Cabelo macio. Perfume. Todas conhecemos estas expressões. Os homens também. No entanto há uma diferença: eles estão olhando para o celular.

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